No dia 12 de abril de 1961, o cosmonauta Iuri Alexeyevich Gagarin tornou realidade o grande sonho do Homem - viajar e entrar no espaço.
Carlos Drumond de Andrade viu assim o desejo da aventura espacial:
O HOMEM; AS VIAGENS
O homem,bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na terra
lugar de muita miséria e pouca diversão
faz um foguete,uma cápsula,um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada tão igual à Terra
O homem chateia-se na Lua
Vamos para Marte-ordena a suas máquinas
Elas obedecem,o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado,que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro-diz o engennho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto- é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repertório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol,falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo
por o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene,insuspeitada alegria
de con-viver.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
Páscoa
PROCISSÃO
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!
Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
Letra: António Lopes Ribeiro
Declamação: João Villaret
domingo, 24 de março de 2013
Letras dos Outros
<<O Ministério da Educação e da Ciência (MEC) anunciou que os professores com "horário zero" poderão passar, já a partir do próximo ano lectivo, ao regime de mobilidade especial. O Ministério da Educação continua a transferir milhões de euros para colégios com contratos de associação, redundantes porque situados nas proximidades de escolas do Estado. Na sua grande maioria, estes colégios são propriedade de personalidades muito próximas do poder político. Entre sacrificar o enriquecimento destes amigos e ameaçar professores com um despedimento a médio prazo e pô-los a receber metade do vencimento, o Governo não hesitou. Se a medida for avante, se os portugueses não acabarem de vez com este pesadelo e o Governo não for deposto, no próximo ano lectivo teremos milhares de professores à míngua em casa a sofrerem a violência de uma inactividade forçada para que uma espécie de empreendedores possa manter um negócio à sombra do Estado à custa do sustento que profissionais que dedicaram uma vida inteira ao ensino deixarem de receber. O terror quer avançar mais uns passos. É cada vez mais urgente fazê-lo tropeçar.>> O País do Burro
quarta-feira, 13 de março de 2013
Amor e Fraternidade
A surpresa tomou conta do mundo católico perante a escolha de um cardeal argentino para suceder a Bento XVI. Pela primeira vez foi eleito um Papa oriundo do continente Americano. Isto pode querer dizer muito. E o facto de ter sido escolhido, também pela primeira vez, o nome de Francisco pode querer dizer tudo. Enquadrado por uma origem religiosa vocacionada para a missionarização (Jesuita) e ligando-se
ao nome de Francisco de Assis, espera-se um pontificado de renovação e
mudança, e de responsabilidade social perante os mais desfavorecidos.
"Amor e Fraternidade" foram as palavras chave do discurso de apresentação de Francisco I na varanda da Basílica de S. Pedro. Perante a grave crise que se apossou do Vaticano pelos sucessivos escândalos mundanos e que, de algum modo, têm abalado os católicos, a postura deste novo Papa pode trazer novos contornos à espiritualidade e à fé, à consciência social e ao diálogo entre os Povos, apelando à fraternidade dentro e fora da Igreja e reforçando o amor em Cristo e na sua doutrina.
Giovanni di Pietro di Bernardone, é o nome de São Francisco de Assis. Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo. Com o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos de seu tempo costumavam fixar-se em mosteiros, e com sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo,
desenvolveu uma profunda identificação com os problemas de seus
semelhantes e com a humanidade do próprio Cristo. Sua atitude foi
original também quando afirmou a bondade e a maravilha da Criação
num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se
dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas
chamando-as de irmãos.
Dante Alighieri disse que ele foi uma "luz que brilhou sobre o mundo", e para muitos ele foi a maior figura do Cristianismo desde Jesus.
Num período em que o modelo feudal entravam em declínio e emergia a burguesia mercantil como grande força econômica, tentou ensinar aos novos poderosos a responsabilidade social e os perigos que trazia sua riqueza, e aos miseráveis as virtudes
e possibilidades espirituais ocultas em sua condição desfavorecida e
seu valor inalienável como filhos de Deus, mostrando a todos que a
religião podia ser fonte de alegria e não causa de opressão, e
apresentando novas alternativas de expressão para uma espiritualidade
que estava num processo de transição, o qual se não fosse iluminado por
seu exemplo de fraternidade e obediência estrita às instituições
religiosas estabelecidas poderia resultar num beco sem saída ou na
revolta cismática.
Os testemunhos de época relatam que seu estilo de pregação era direto e simples, usando o vernáculo,
longe da eloquência sacra de seu tempo, mas afirmam que sua sinceridade
e compreensão das dificuldades da vida popular,[...]faziam que seu discurso tivesse um efeito persuasivo profundo.
Outra de suas contribuições foi a de enfatizar a paz, a tolerância, o
respeito e a concórdia, e ele sempre teve a convicção de que os irmãos
deviam ser pacificadores, o que deixou expresso em vários escritos e foi
repetido por seus biógrafos. Mesmo nas missões que enviou para entre os muçulmanos fez recomendações para que os missionários
mantivessem uma postura de respeito para com as manifestações da
divindade em todos os credos e de sujeição às leis civis locais, e que
evitassem se envolver em disputas teológicas.
(sublinhados meus)
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Degraus
| produção própria, Ria Formosa |
Os Anos são Degraus
Os anos são degraus, a Vida a escada.
Longa ou curta, só Deus pode medi-la.
E a Porta, a grande Porta desejada,
só Deus pode fechá-la,
pode abri-la.
São vários os degraus; alguns sombrios,
outros ao sol, na plena luz dos astros,
com asas de anjos, harpas celestiais.
Alguns, quilhas e mastros
nas mãos dos vendavais.
Mas tudo são degraus; tudo é fugir
à humana condição.
Degrau após degrau,
tudo é lenta ascensão.
Senhor, como é possível a descrença,
imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,
se encontre após esta ansiedade imensa
uma porta fechada
e mais nada?
Fernanda de Castro, in "Asa do Espaço"
sábado, 16 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Parabéns, Simone!
Simone de Oliveira faz hoje 75 anos!
Mesmo nos tempos em que nem toda a música portuguesa me caía bem, a voz da Simone tinha qualquer coisa de diferente que me fascinava.
"Na voz de
Simone as palavras reencontram a vibração e o volume, o contorno a
sombra, o desgarrar ou a frescura, que sempre sonha dar-lhes quem ao
papel as arremessa.", disse David Mourão-Ferreira e isso traduz bem a qualidade de interpretação que deu às composições que para ela foram escritas por diversos autores. A minha favorita é "Sol de Inverno", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, vencedora do Festival da Canção RTP, em 1965.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Efeméride
Roberto Ivens
Wikipedia e Infopedia
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Para as Minhas Meninas
QUANDO EU FOR PEQUENO
Quando Eu For Pequeno , mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.
Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.
Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.
Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.
José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
BOAS FESTAS
Hoje é dia de Natal
Mas o Menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.
Recebi cinco binquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre Menino Jesus,
Faz anos e está despido.
Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.
Os reis de longe lhe trazem
Tesouro, incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.
Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.
Dia de Natal - Luisa Ducla Soares
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