segunda-feira, 13 de abril de 2020

Cronologia do CoronaVirus - 2020 - Mundo - Março

1
- Governo das Astúrias confirma primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na região espanhola, o escritor chileno Luis Sepúlveda, que esteve recentemente em Portugal.
- Macau com perdas históricas nas receitas do jogo em fevereiro, menos 87,8% em relação a igual período de 2019, num mês em que os casinos fecharam por 15 dias devido ao surto de Covid-19.
3
- Primeira morte em Espanha.
- Itália confirma 79 mortes.
- Mais de três mil mortos e de 91 mil infetados em todos os continentes, segundo dados da OMS. Os países mais afetados são China, Coreia do Sul, Irão e Itália.
- Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), que gere a política monetária do país, corta em 50 pontos base as taxas de juro, devido ao novo coronavírus. O presidente da Fed, Jerome Powell, considera inevitável que os efeitos do surto alastrem às economias mundiais e alterem o seu normal funcionamento "durante algum tempo".
- FMI e Banco Mundial anunciam que reuniões de abril, que se realizam anualmente em Washington, vão ser feitas à distância, em "formato virtual".
4
- Em todo o mundo, há registo de mais de 3.100 mortos e de 93.100 infetados em 77 países de cinco continentes, segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- Mais de 290 milhões de jovens sem aulas em todo o mundo, segundo a UNESCO.
- Banco Mundial anuncia 12.000 milhões de dólares (cerca de 10.786 milhões de euros) para ajudar os países que enfrentam impactos económicos e de saúde.
- O setor dos serviços contraiu pela primeira vez na China desde que há registos.
- Itália, o país europeu mais afetado, fecha todas as escolas e universidades até meados de março
- FMI diz que crescimento mundial será inferior em 2020 ao de 2019 devido ao impacto da epidemia do novo coronavírus, mas que é "difícil prever quanto".
- Surto diminuiu exportações mundiais em 50 mil milhões de dólares em fevereiro, segundo uma análise publicada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
5
 - O número de pessoas infetadas em todo o mundo aumenta para 97.510, das quais 3.346 morreram, em 85 países e territórios. A China é o país mais afetado (80.409 casos e 3.012 mortes); seguido pela Coreia do Sul (6.088 casos, 35 mortes), Itália (3.858 casos, 148 mortes) e Irão (3.513 casos, 107 mortes).
- Perdas das companhias aéreas mundiais podem chegar aos 113 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros), estima a associação internacional de transporte aéreo (IATA).
- O Fundo Monetário Internacional disponibiliza 50 mil milhões de dólares (cerca de 46,7 mil milhões de euros) para combater o surto.
6
 - Número de infetados no mundo ultrapassa os 100 mil, das quais 3.456 morreram, em 92 países e territórios. A China (sem as regiões administrativas de Macau e Hong Kong), o país onde a epidemia foi declarada no final de dezembro, soma 80.552 casos e 3.042 mortes.
- Preço do barril de Brent cai mais de 6%, para cerca de 47 dólares, devido à quebra da procura.
7
- Governo italiano proíbe as entradas e saídas da Lombardia e de outras 11 províncias próximas para limitar a disseminação do coronavírus, que já causou 233 mortes e 5.061 infetados em todo o país. 
8
- Primeiras mortes registadas no continente africano (Egito) e na América Latina (Argentina).
9 
- Itália estende quarentena a todo o país, onde número de mortos atinge 463.
 -Primeiros casos em Chipre significam que todos os países da União Europeia estão atingidos pelo novo coronavírus.
10 -Número recorde de 168 mortos em Itália num período de 24 horas.
-Presidente chinês considera surto do Covid-19 no país como "praticamente contido”.

Itália registra 793 mortes por coronavírus em apenas um dia | A Gazeta
Em 21 de Março, Itália registou 793 mortes em 24 horas
  
11  
- OMS declara doença Covid-19 como pandemia, alertando para aumento do número de casos e mortes e apontando “níveis alarmantes de propagação e inação”.
- Espanha regista mais de 2.000 infetados e 47 mortos.
- Turquia anuncia primeiro caso num homem regressado da Europa.
 12  
- Pandemia atinge 125.293 infetados e já matou 4.600 no mundo, 1.016 dos quais em Itália, o país europeu mais afetado.
- Venezuela suspende voos provenientes da Europa, Colômbia e Panamá e decreta emergência preventiva.
 13  
- Organização Mundial de Saúde declara que Europa é o centro da pandemia, com o número de mortos em todo o mundo a superar 5.300.
- Presidente dos EUA, Donald Trump, declara estado de emergência nacional.
- UEFA suspende todos os jogos sob a sua égide, incluindo Liga dos Campeões e Liga Europa.
- República Checa anuncia fecho total de fronteiras a partir de 16 de março.
 14
 - Governo de Espanha, onde há mais de 5.700 casos, impõe “medidas drásticas” no âmbito do estado de alerta, proíbe cidadãos de andar na rua, exceto para irem trabalhar, comprar comida ou à farmácia.
- Número de mortos em todo o mundo atingiu 5.764, com mais de 151.000 pessoas infetadas.
15
- Em todo mundo há quase 160.000 pessoas infetadas e já morreram mais de 6.000.
16  
- Macau decreta quarentena obrigatória de 14 dias para quem chegar ao território, com exceção da China continental, Taiwan e Hong Kong.



Em estado de alerta, Espanha toma medidas drásticas contra covid ...
Em 25 de Março, Espanha contabilizava 3434 vítimas mortais




Cronologia do CoronaVirus - 2020 - Mundo - Fevereiro

1
- Austrália proíbe entrada no país a não residentes vindos da China.
2
- Filipinas anunciam o primeiro caso mortal no país e o primeiro fora da China.
3
- OMS anuncia que está a trabalhar com a Google para travar informações falsas sobre o novo coronavírus.
11
- OMS decide dar oficialmente o nome de Covid-19 à infeção provocada pelo novo coronavírus.
 13
- Autoridades chinesas mudam a forma de contabilizar e assumir casos de infeção. Passam a contar não apenas os casos com confirmação laboratorial, mas também os que têm confirmação clínica apoiada por exames radiológicos.
14
- Segunda morte confirmada fora da China, no Japão.
16
- Terceira morte confirmada fora da China, num turista chinês que visitava França.
19
- Autoridades iranianas confirmam dois primeiros casos no Irão. A agência estatal iraniana IRNA avança que dois iranianos morreram devido ao Covid-19, poucas horas depois.
20
- Autoridades chinesas voltam a alterar a metodologia da contagem de infetados, uma decisão que se reflete numa descida acentuada no número de novos casos.
- Coreia do Sul regista a primeira morte.
21
- Autoridades chinesas anunciam que surto está "sob controlo".
- Itália regista primeira vítima mortal, um italiano de 78 anos.
22
- Irão fecha escolas, universidades e centros educativos em duas cidades. País confirma mas de 40 casos de infeção e oito mortes.
23
- Presidente da China, Xi Jiping, admite que o surto é a mais grave emergência de saúde no país desde a fundação do regime comunista, em 1949.
- Autoridades italianas ordenam suspensão dos festejos do Carnaval de Veneza.
- Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que epidemia coloca em risco a recuperação económica mundial e manifesta disponibilidade para ajudar financeiramente os países mais pobres e vulneráveis.
24
- Comissão Europeia anuncia mobilização de 230 milhões de euros para apoiar a luta global contra o Covid-19.
- Diretor-geral da OMS avisa que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia", considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.
25
- O especialista que liderou a equipa da Organização Mundial de Saúde (OMS) enviada à China afirma que o mundo "simplesmente não está pronto" para enfrentar a epidemia.
26
- Brasil confirma o primeiro caso de contágio, um homem de 61 anos, residente em São Paulo, regressado recentemente do norte de Itália. É o primeiro caso na América do Sul.
- Vários países confirmam igualmente os primeiros casos, entre os quais Grécia, Finlândia, Macedónia do Norte, Geórgia e Paquistão.
- OMS revela que o número de novos casos diários confirmados no resto do mundo ultrapassou pela primeira vez os registados na China.
27
- Arábia Saudita suspende temporariamente a entrada de peregrinos que visitam a mesquita do profeta Maomé e os lugares sagrados do Islão em Meca e Medina, bem como turistas de países afetados pelo coronavírus.

Internacional - Coronavírus interrompe peregrinação de muçulmanos ...
Suspensa a peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita

 28
- Primeiro caso confirmado na África subsaariana, na Nigéria, depois de terem sido identificadas infeções no norte do continente, no Egito e na Argélia.
- Suíça proíbe pelo menos até 15 de março qualquer evento público ou privado que reúna mais de mil pessoas.
- Comissão Europeia solicita aos Estados-membros da UE que avaliem os impactos económicos do novo coronavírus.
- OMS aumenta para "muito elevado" o nível de ameaça do novo coronavírus.
- Responsáveis da Feira Internacional de Turismo de Berlim anunciam a suspensão do evento, considerado o maior do mundo, que se deveria realizar entre 04 e 08 de março.
29
- Governo francês anuncia cancelamento de "todas as concentrações com mais de 5.000 pessoas" em espaços fechados e alguns eventos no exterior, como a meia-maratona de Paris.
- Primeira vítima mortal nos Estados Unidos da América.

Cronologia do CoronaVirus - 2020 - Mundo - Janeiro

31 de dezembro de 2019
- O gabinete da Organização Mundial de Saúde da China (OMS) informa sobre mais de duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida detetados na cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei.

2020 - Janeiro
1
- É encerrado o mercado de pescado e carne (China) que se pensa estar na origem da contaminação, dado que os doentes tinham todos ligação ao local.
4
- São 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida reportados pelas autoridades chinesas.
10 e 11
- As autoridades chinesas identificam o agente causador das pneumonias como um tipo novo de coronavírus, que foi isolado em sete doentes.
13
- Primeiro caso confirmado fora da China, na Tailândia.
15
- Primeiro caso reportado no Japão do novo coronavírus, entretanto designado como 2019-nCoV.
20
- Autoridades confirmam que há transmissão entre seres humanos.
21
- Primeiro caso nos Estados Unidos, num doente em Washington regressado de Wuhan.
22
- Macau confirma o primeiro caso da doença, numa altura em que há mais de 440 infetados.
- Começa o isolamento da cidade de Wuhan ao mundo, com as autoridades de saúde a cancelar voos e saída de comboios.

Cidade de Wuhan na China está isolada e sem comida - JN
Isolamento da cidade de Wuhan (China)

 23
- OMS reúne o seu comité de emergência na Suíça para avaliar se o surto constitui uma emergência de saúde pública internacional, mas decide não a decretar.
- As autoridades chinesas proíbem entradas e saídas numa segunda cidade, Huanggan, a cerca de 70 quilómetros de Wuhan. As duas cidades têm em conjunto mais de 18 milhões de habitantes.
- Alguns aeroportos no mundo, como no Dubai, nos Estados Unidos e nalguns países africanos, começam a tomar precauções para lidar com o fluxo de turistas chineses que tiram férias no Ano Novo Lunar, que coincide com o surto.
24
- Confirmados em França os primeiros dois casos na Europa, ambos importados.
25
- Pequim decide suspender as viagens organizadas na China e ao estrangeiro.
- Austrália anuncia primeiro caso e Hong Kong declara estado de emergência.
27
- Primeira morte confirmada em Pequim.
- O Centro Europeu de Controlo das Doenças pede aos estados-membros da União Europeia (UE) que adotem "medidas rigorosas e oportunas" para controlo do novo coronavírus.
28
- O Mecanismo Europeu de Proteção Civil é ativado, a pedido de França, para repatriamento dos franceses em Wuhan.
- Confirmados dois casos, um na Alemanha e outro no Japão, de doentes que não estiveram na China, tendo sido infetados nos seus países por pessoas provenientes de Wuhan.
29  
- Finlândia confirma primeiro caso.
- Rússia encerra fronteira terrestre com a China.
- Estudo genético confirma que o novo coronavírus terá sido transmitido aos humanos através de um animal selvagem, ainda desconhecido, que foi infetado por morcegos.
30
- OMS declara surto como caso de emergência de saúde pública internacional, mas opõe-se a restrições de viagens e trocas comerciais.
31
- Estados Unidos decidem proibir a entrada de estrangeiros que tenham estado na China nos últimos 14 dias e impor quarentena a viajantes de qualquer nacionalidade provenientes da província de Hubei.

A Pandemia Covid19

Para memória futura, fica aqui registado o desenvolvimento da pandemia que atingiu todo o Mundo provocada pela disseminação do CoronaVirus.
As parcas notícias que nos chegavam da China no início deste ano de 2020 não deixavam antever nem prever que algo de formidável nos atingiria e mudaria as nossas rotinas e as nossa vidas diárias. 
Família, profissão, conhecimento, divertimento, interesse pessoal ou coletivo, tudo foi radicalmente alterado para podermos preservar esse tudo.
De repente deixámos de ter guerras e refugiados e problemas ambientais na ordem do dia e nas notícias. De repente ficámos protagonistas de uma guerra silenciosa, tornámo-nos refugiados nas nossas casa e , ironia, o ambiente do planeta ficou mais limpo.
Foi um começo atribulado para este ano bissexto. O fim ainda não sabemos... mas acreditamos que

Vai Ficar Tudo Bem' | TVI lança vídeo emotivo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Realidade

Bom, esquecido não estavas, meu querido Blog. Eu é que entrei na era dos óculos e bengala... A Vida não é como a queremos mas como ela quer que seja.

Aqui te deixo um texto, um pouco longo,  que descobri algures numa rede social e que condiz com a nossa Vida.

Éramos todos jovens. Jovens, bonitos, elegantes e muito sensuais. Eu também era assim. Era o futuro. Aquele que, no presente, representava o futuro e nunca, nunca por nunca, seria passado.
As calças apertadas. As camisas abertas. A barba de três dias. O cabelo revolto ou o gel no cabelo. As discotecas. Os bares dançantes. As saídas de casa. O teatro. O cinema. Os concertos. As bebedeiras. As drogas. As noites de sexo que os pais, coitados, nunca tinham tido. Eram namoradas, amigas, amigas muito coloridas, conhecidas.
No alto da minha arrogância apontava o dedo acusador aos velhos que me tinham precedido. Não sabiam. Já não sabiam. Ria-me de os ver curvados, gordos, carecas. De perderem o fôlego numa pequena corrida. De não entenderem a tecnologia. De terem dedos demasiado grossos para escrever mensagens no iPhone. De esquecerem onde tinham largado os óculos e não verem nada sem eles. Das roupas sem graça que usavam. Dos livros esquecidos que citavam. Das músicas parolas que dançavam. E como dançavam. Colados. Uns aos outros. A sentirem a transpiração uns dos outros.
Eu nunca usaria óculos nem bengala. Nunca mijaria nas calças nem na cama. De corpo direito e cabeça erguida nunca receberia ordens. Seria eu a dá-las.
O mundo era meu. Nosso. Nosso, dos jovens. Os que tinham futuro. Íamos ter trabalhos de grande responsabilidade mas cheios de glamour, com salários com que os nossos pais nunca puderam sonhar, e podíamos ir de férias para todo o lado. O mundo era o nosso quintal. A globalização tinha-nos dado a ideia de que podíamos ir a todo o lado. A internet levou-nos lá. As low-cost levaram-nos, de facto, a quase todos os lados. Mais a uns lados que outros que temos tendência para ir onde vai toda a gente. Precisamos de eco. Ver o que os outros vêm. Ouvir o que os outros ouvem. Ler o que os outros lêem. Ir onde os outros vão. Mas não uns outros quaisquer. Os nossos outros. Os meus outros. Os meus amigos. A minha tribo. O meu parâmetro de comparação. Fomos às mesmas ilhas das caraíbas, em resorts assépticos que a realidade é uma merda. Às mesmas cidades de cartaz. Quem não foi a Veneza? A Barcelona? A Paris? A Londres? Quem não passou férias na República Dominicana e em Cuba? Quem não foi a Jericoacoara? A Natal? Quem não sonhou em ir à Nova Zelândia? Mas já não chegámos lá.
Éramos a geração escolarizada. Todos aprendemos a ler e a escrever. A ter opinião e a deixar de a ter. Éramos superiores aos nossos pais que não sabiam ler ou tinham uma quarta classe tirada em adulto. Fomos os primeiros a levar livros para casa. Falávamos várias línguas. Íamos conquistar o futuro.
E saímos de casa dos pais para ir estudar. Estudar longe de casa – ainda se podia. E a pensar nunca mais voltar.
Como estávamos enganados.
E depois, depois de muitos anos de tudo a que nos julgávamos com direito, depois de muitos anos a tratar o mundo por tu, percebemos que nós éramos os nossos pais.
Eu percebi isso quando voltei para casa deles. Quando regressei, porque não podia ter sido de outro modo. Todo o meu conhecimento não foi suficiente para conseguir um trabalho bem pago. Sem capacidade de pagar uma renda de casa. Mais água. E gás. E electricidade. E o cabo. Como viver sem internet? Sem férias. Sem viagens. O mundo era meu, mas era digital. Estava lá, não estando. Um sonho que que só existia no Facebook, no Instagram.
Então, descobri que eles era eu. Eu era o velho. Era o gordo. Eu é que tinha os dedos demasiado grossos para escrever mensagens no iPhone. O meu presente já não tinha futuro, só passado. Um passado cheio de esperança e ambição que não chegou ao presente.
Agora uso calças largas porque me são mais confortáveis. Óculos para perceber quais os comprimidos a tomar. Já não tenho cabelo. O sexo só por marcação e com ajuda do comprimido azul. Já não saio de casa sem a bengala. Na verdade, já não saio de casa. Tenho frio. E medo.
[escrito directamente no facebook em 2019/12/04]

sábado, 15 de outubro de 2016

A Paixão

Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, 

ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega



Herberto Helder
de A Faca não Corta o Fogo

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Horizontes Alargados

Li esta redacção algures na net. As ideias são boas, a escrita nem por isso, mas tem a sua piada:

Portugal é um país encarnado e verde com a esfera armilar no meio e que gosta muito de se alargar,talvez porque não cresceu muito em pecanino.
Primeiro foi o D.Af.Henriques,que alargou o território e veio de Guimarães à espadeirada ao primo e aos outros espanhois,para alargar a quinta. No caminho nem viu que estava a bater numa senhora,que por acaso até era a Mãe. Depois,foi aquela mania dos ascendentes do sr.Pinto da Costa,que desataram a dar paulada nos moiros,coitadinhos,que até foram a nadar para o norte de Àfrica e tiveram de ir,outra vez,morar p'ró deserto. Depois foi o milagre das rosas e do D.Dinis. As rosas,foram transformadas dos pãos da rainha Isabel. Os pãos eram cinco e as rosas eram duas dúzias. O D.Dinis também alargou o pinhal de Leiria até à estrada nacional nº.1,que é a única coisa que não se tem alargado desde esse tempo e que serve para umas senhoras esquisitas passearem e quando o meu pai passa ali com o carro a minha Mãe alarga a minha curiosidade porque me vira a cara para o lado, para eu não ver não sei o quê.
Depois foi o D.Sebastião que até alargou a nossa fama de parvos, foi lá p'ró estrangeiro e perdeu-se no nevoeiro. Depois esse D.Henrique que vivia com aqueles trapos castanhos na cabeça e devia de enjoar no mar, porque mandava sempre ir os outros para alargar Portugal. E tanto nos alargámos,que fomos parar ao Brasil e à India e ao arquilépago dos Bijagozes e ao Japão, onde ensinámos muitas coisas boas, como dar tiros e dizer obrigado. Nos descobrimentos é que nós nos alongámos mais,na fé e no império. Mas não ficámos por aí.
Já lá mais pró pé dos nossos dias,o marquês de Pombal,alargou-se nas despesas para construir a baixa de Lisboa e alargou-se também na cacetada que andou a dar nos jizuistas ou lá como se chamavam os padres que usavam chapeu e saias pretas.De alargamento em  alargamento,até que ficámos um país assim a modos que como os outros.O que é - e isso foi mal feito - alargámos mais para fora que para dentro.Também,verdade se diga,se fôssemos alargar p'ra Espanha não ficávamos a ganhar nada porque ainda tínhamos de ficar com aquelas xatices da cidade de Badajoz e de Ayamonte,que são quentes no verão e frias que nem burro no inverno. Bom,mas depois veio um tempo em que pouco ou nada alargámos e até minguámos. Começou com a India e nunca mais parámos de enculher.
Agora é que temos voltado aos alargamentos e eu cá acho que isso é bom porque é a alargar que o meu tio Zeca tem ficado rico e até já tem uma televisão,que se alarga pró estrangeiro e serve para alargar as discussões lá em casa.Eu cá acho,que nunca estivemos tão bem em Portugal.O sr.Primeiro Ministro alargou o preço da gasolina e até o futebol português alargou as divisões e até o clube da minha terra,que nem vem no mapa e que por acaso até é treinado cá pelo meu pai,já vai jogar numa divisão nacional qu'até parece o Benfica.
Eu acho que Portugal voltou a ser um grande e alargado País,como no tempo do D.Af.Henriques. Só tenho pena de não ser como ele. Ainda no outro dia tentei também bater na minha Mãe e levei um tal arraial de xapada que fiquei com a cara num alargamento que só visto.Enfim,nem todos os alargamentos são bons.

Xiquinho 12 anos. 
PS - Este ano já passei para a quarta classe.Ainda só perdi três!!!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Liberdade

Paul Éluard (Saint-Denis, 14 de dezembro de 1895 - Charenton-le-Pont, 18 de novembro de 1952)


Nos meus cadernos de escola
no banco dela e nas árvores
e na areia e na neve
escrevo o teu nome

Em todas as folhas lidas
nas folhas todas em branco
pedra sangue papel cinza
escrevo o teu nome

Nas imagens todas de ouro
e nas armas dos guerreiros
nas coroas dos monarcas
escrevo o teu nome

Nas selvas e nos desertos
nos ninhos e nas giestas
no eco da minha infância
escrevo o teu nome

Nas maravilhas das noites
no pão branco das manhãs
nas estações namoradas
escrevo o teu nome

Nos meus farrapos de azul
no charco sol bolorento
no lago da lua viva
escrevo o teu nome

Nos campos e no horizonte
nas asas dos passarinhos
e no moinho das sombras
escrevo o teu nome

No bafejar das auroras
no oceano nos navios
e na montanha demente
escrevo o teu nome

Na espuma fina das nuvens
no suor do temporal
na chuva espessa apagada
escrevo o teu nome

Nas formas mais cintilantes
nos sinos todos das cores
na verdade do que é físico
escrevo o teu nome

Nos caminhos despertados
nas estradas desdobradas
nas praças que se transbordam
escrevo o teu nome

No candeeiro que se acende
no candeeiro que se apaga
nas minhas casas bem juntas
escrevo o teu nome

No fruto cortado em dois
do meu espelho e do meu quarto
na cama concha vazia
escrevo o teu nome

No meu cão guloso e terno
nas suas orelhas tesas
na sua pata desastrada
escrevo o teu nome

No trampolim desta porta
nos objectos familiares
na onda do lume bento
escrevo o teu nome

Na carne toda rendida
na fronte dos meus amigos
em cada mão que se estende
escrevo o teu nome

Na vidraça das surpresas
nos lábios todos atentos
muito acima do silêncio
escrevo o teu nome

Nos refúgios destruídos
nos meus faróis arruinados
nas paredes do meu tédio
escrevo o teu nome

Na ausência sem desejos
na desnuda solidão
nos degraus mesmos da morte
escrevo o teu nome

Na saúde rediviva
aos riscos desaparecidos
no esperar sem saudade
escrevo o teu nome

Por poder de uma palavra
recomeço a minha vida
nasci para conhecer-te
nomear-te

                                                                                     Tradução JORGE DE SENA

domingo, 13 de dezembro de 2015

O Primeiro Beijo

Capela de Scrovegni , Pádua, Itália. Fresco de Giotto: encontro na Porta Dourada Detalhe do beijo de St. Anna e S. Joaquim


Para os cristãos, Ana e Joaquim são os pais da Virgem Maria e, por isso, avós maternos de Jesus. O primeiro encontro do casal deu-se na Porta Dourada, uma das entradas de Jerusalém. Em vinte anos de casamento não houve filhos. Porém, um dia um Anjo anunciou-lhes a gravidez tão esperada. A celestial boa nova foi dada a cada um em separado, pelo que quando se encontraram no local onde se tinham conhecido, saudaram-se com alegria e beijaram-se. 
O beijo entre Santa Ana e São Joaquim marca o primeiro beijo em história da arte.