sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Noites e Feiticeiras...

Sete Luas
Há noites que são feitas dos meus braços
e um silêncio comum às violetas
e há sete luas que são sete traços
de sete noites que nunca foram feitas
Há noites que levamos à cintura
como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
duma espada à bainha de um cometa.
Há noites que nos deixam para trás
enrolados no nosso desencanto
e cisnes brancos que só são iguais
à mais longínqua onda de seu canto.
Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo.
Natália Correia
Feiticeira
Luís Represas

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Poeta João Lúcio

Na passagem dos 90 anos sobre a sua morte, recordo aqui o grande poeta olhanense João Lúcio.

Nascido em Olhão em 4 de Julho de 1880, numa família abastada e culta, onde já outro nome, o pintor Henrique Pousão, brilhava nas artes, evidenciou desde cedo talento para a escrita.
Estudou Direito em Coimbra , privando aí com outros grandes das letras portuguesas como Afonso Lopes Vieira, Augusto de Castro, Teixeira de Pascoaes e Manuel Teixeira Gomes.
Exerceu advocacia em Olhão, salientando-se pelo seu profissionalismo, viva inteligência e palavra fácil. Os seus dotes de magnífico orador granjearam-lhe o respeito e a admiração nos meios políticos, tendo sido deputado da Nação e presidente da Câmara de Olhão.

João Lúcio foi um poeta naturalista, romântico e sonhador.
Ainda em Coimbra publica “Descendo” (1901), cujos versos resultam numa incursão pela luz, perspectivando a descoberta da claridade.
Grande apaixonado pelo Algarve escreve a sua obra poética mais conhecida - "O Meu Algarve" (1905) -, onde hiperboliza a luz, as cores, a terra e o mar do seu Algarve. António José Saraiva e Óscar Lopes em "A História da Literatura" referem-se ao poeta como um António Nobre algarvio, «pelo seu exuberante gosto da cor e mitologia popular»
Publica ainda "Na Asa do Sonho" (1913), uma ode à capacidade humana de sonhar para fugir à realidade, e mais tarde, "Impressões de viagens" e "Vento de Levante". "Espalhando fantasmas" (1921), foi publicado postumamente.

Cerca de 1916 mandou construir no pinhal da sua quinta de Marim, local rico de lendas sobre mouras encantadas , perto de Olhão, um Chalet, com o objectivo de alcançar o isolamento espiritual que tanto necessitava depois da tragédia pessoal da perda do filho.
Esta moradia, pelo seu exotismo, é considerada como um exemplo máximo da arquitectura simbolista em Portugal (existe apenas outro exemplar nacional: a Quinta da Regaleira, em Sintra). É um edifício com três pisos, de forma quadrangular, sem frente nem traseiras, com quatro escadarias de acesso que marcam as entradas para o centro da casa, rematado com uma clarabóia. A escadaria a Norte tem forma de peixe; a Sul, de guitarra; a Nascente, de violino; a Poente, de serpente. Simbolicamente, o peixe representa a água mas, ao contrário do que seria de esperar, está virada para o Norte (continental); a guitarra simboliza o fogo e, também ao contrário do que seria de esperar, está virada para o Sul (líquido); o violino simboliza o ar mas está virada para o fogo do Sol (nascente); a serpente simboliza a terra e a realidade, pelo que está voltada para a urbe de Olhão.


Infelizmente, João Lúcio pouco tempo viveu nesta sua casa, pois foi vítima da gripe pneumónica , em 1918, quando tinha apenas 38 anos.

Olhão tem prestado várias homenagens a esta figura incontornável da sua cultura. O seu busto ornamenta o centro da cidade e a sua casa de Marim foi transformada em Ecoteca.
A paixão da cor
(a Manuel Teixeira Gomes)

Côr, filha da Luz, é uma língua em tons
Que falla, sem rumor, á curva da retina...
Como ha para o ouvido a palavra e os sons,
Nasceu para o olhar esta harmonia fina.

Escorre sobre o campo, empapuçando tudo
N'um brilho rumoroso, ardente de alegrias;
Palpita nos setins, ondula no velludo
E fulge encarcerada em finas pedrarias.

Em toda a parte põe a aza transparente:
No mar, nos vegetaes, nos montes, nos pallores...
No nosso sangue a Côr murmura intensamente,
Sugam-n'a p'los jardins as sequiosas flores.

Faz o scenario rubro e amplo da alvorada,
Espalha pelo Ar um pó alado e loiro,
Torna a agua do mar suave e azulada
E talha, no poente, architecturas de oiro.

Sonoramente vibra, em rubro, sobre os cactos:
Tem um ar de saudade, em roxo, nas violetas:
É meiga no azul dos lagos e regatos,
As azas de setim salpica ás borboletas.

Ululou no pincel extranho de Rembrant,
O trágico da tinta, Eschylo da pintura;
Foi triste e dolorosa em Cano e Zurbaran
E em Rubens tomou idylica frescura.

Com Velasques creou rajadas de epopea
E em Raphael foi d'uma doce grandeza;
Miguel Angelo pôz a Côr d'assombros cheia
Por forma que excedeu até a Natureza.

Murillo fel-a erguer, celeste e amoravel,
Ao lyrismo ideal da mystica doçura,
Mergulhava o pincel fino e admirável
Dentro do coração, p'ra embebel-o em ternura.

Oh Côr, que vaes correr pelas veias das flores,
Voluptuosa côr que adora o algarvio,
Que fostes muita vez, em ardentes amores,
O collo desnudar nos braços de meu tio.

E porquê? Que razão nos acorrentará
Ao teu manto brilhante, ao teu manto fulgente?!
A volúpia, talvez, que dentro de ti ha,
Minha linda pagã, sensual e ardente!
Do Livro O Meu Algarve
(foi mantida a escrita original e foram feitas supressões)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Palavra de Amigo

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Palavras

A Palavra é o que nos distingue do resto da criação divina. Pela palavra comunicamos.
Existem três categorias de palavras: as que se pensam, as que se dizem e as que se calam; e dentro destas existem outras variedades. As palavras são como as árvores. Ramificam-se.
Como diz o poeta, há palavras que nos beijam como se tivessem boca.... São palavras de simpatia, amizade, compreensão, carinho, paixão, amor. Precisamos delas para nos sentirmos vivos, para perspectivarmos o mundo, para nos posicionarmos na vida, para estarmos bem com os outros e connosco próprios.
Há palavras que gritam. Cada pensamento, som ou gesto é raiva e ódio. Não precisamos delas pois conflituam-nos de tal maneira que baralham a lucidez e o discernimento.
Também há as palavras inúteis, não porque a inutilidade resida na palavra, mas porque não são necessárias para os momentos. A extrema alegria ou a morte tornam-nas inúteis.
Inúteis são, também, as que tentamos dizer a alguém que cala as palavras. Quem cala palavras não gera comunicação. Produz reticências, silêncios , dúvidas.
Por fim há as palavras mal-entendidas. Podem-se pensar, dizer ou calar mas não cumprem a missão de comunicar. Partem do seu destino com uma intenção mas chegam irreconhecíveis.
São tão perigosas como incontroláveis. Perigosas porque distorcem a realidade e arruinam relações. Incontroláveis porque quando partem de nós carregam o nosso sentir, levam instruções expressas, mas confundem-se e transmutam-se, devido a factores externos.
Infelizmente, parece ser esta última variedade a que mais existe por aí. Utilizamos uma amálgama de palavras, das várias categorias e variedades e não nos damos conta da importância da escolha. Os factores externos somos nós próprios. Uma atitude impensada, um gesto deslocado e toda a palavra que de nós sai fica mirrada, seca, espalhada no deserto da incompreensão.
O que nos distingue do resto da criação divina torna-nos, às vezes, infelizes.

domingo, 19 de outubro de 2008

1º Prémio

Pois é, Amigos! Ao fim de uma luta renhida com concorrentes de peso, das quais destaco a SOPHIAMAR (do blog Averomar) e a ELVIRA CARVALHO (do blog Sexta-Feira), ganhei o


1º Campeonato "QUEM SOU EU?"


Uma iniciativa de Jorge PG do blog "Os Bonecos do Sineiro"



É um prémio que me enche de orgulho! Foi bem disputado, com muita alegria, divertimento e Amizade.

À Sophiamar, que ganhou o segundo lugar, e à Elvira Carvalho, que ficou em terceiro, os meus parabéns pelo empenho e desempenho, pelo desportivismo e pelas boas gargalhadas durante o torneio.

Ao Mestre Sineiro, JORGE PG, um obrigado do tamanho deste mundo e do outro, por ter proporcionado momentos imperdíveis e impagáveis de desafio e boa disposição.

A todos um obrigada do fundo do coração!

sábado, 18 de outubro de 2008

Leitura

Terminei a leitura deste livro e gostei muito!

Casa Rossa, uma magnífica casa de campo em Puglia, pertencente à família Strada, vai ser vendida. Enquanto Alina fecha a casa, reúne os fragmentos do passado da sua família relembrando a vida de três mulheres extraordinárias que a habitaram. A sua avó Renée, uma bela tunisina, mulher e musa do seu avô pintor, abandonou-o por uma mulher e fugiu para a Alemanha nazi. A mãe, Alba, viveu a dolce vita na Roma dos anos cinquenta e casou-se com um guionista melancólico que morreu em circunstâncias misteriosas. Isabella, a irmã de Alina, e outrora a sua melhor amiga, juntou-se às Brigadas Vermelhas nos anos 70, uma escolha que separaria as irmãs. Os sentimentos e as histórias destas mulheres que viveram uma existência apaixonante desenvolvem-se magistralmente, ao mesmo tempo que se vai revelando uma história mais ampla, a de uma família e a de um país.

A autora:

Francesca Marciano

Nasceu em 1955 em Roma, e viveu nos EUA e em África. Trabalha há muito no cinema como realizadora e guionista. É autora do bestseller internacional Rules of the Wild , inspirado na sua experiência pessoal no Quénia. Casa Rossa é o seu segundo romance.
Textos retirados da capa do livro

Editora D. Quixote

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Parar para Ouvir

Todo o Tempo do Mundo

Podes vir a qualquer hora
Cá estarei para te ouvir
O que tenho para fazer
Posso fazer a seguir
Podes vir quando quiseres
Já fui onde tinha de ir
Resolvi os compromissos
agora só te quero ouvir
Podes-me interromper
e contar a tua história
Do dia que aconteceu
A tua pequena glória
O teu pequeno troféu
Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo
Houve um tempo em que julguei
Que o valor do que fazia
Era tal que se eu parasse
o mundo à volta ruía
E tu vinhas e falavas
falavas e eu não ouvia
E depois já nem falavas
E eu já mal te conhecia
Agora em tudo o que faço
O tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço
Podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço
Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo
Rui Veloso – Todo o tempo do mundo

domingo, 12 de outubro de 2008

Eu fui Madrinha de Guerra

Isabel Allende diz que “A escrita é para mim uma tentativa desesperada de preservar a memória. Escrevo para que me não vença o esquecimento”.

Todos temos recordações, memórias do passado, antigo ou recente. Há recordações más, situadas em contextos bons e há recordações boas situadas em contextos maus. A recordação que aqui trago enquadra-se neste último tipo. Os anos 60(finais) e 70 preencheram a minha adolescência e juventude. O rock, o flower power, a mini-saia, ocupavam os nossos dias descontraídos enquanto que as baladas, os livros emprestados à socapa e a guerra no ultramar deixavam no ar perguntas sem resposta e desenhavam uma realidade mal compreendida. Todos os rapazes meus conhecidos passavam por um interregno nas suas vidas. Largavam os empregos, as famílias, os amigos e abalavam do cais de Alcântara, aos magotes, para África. O porquê era sempre uma pergunta difícil de responder.


Nessa altura circulava em Portugal uma revista, a “Crónica Feminina”, que, apesar de ser considerada leitura inferior, era lida religiosamente todas as semanas, quer pelas engraçadas tiradas da “D. Licas”, quer pelas novidades da moda, quer pelo foto - folhetim, encaixado nas páginas centrais. Divertíamo-nos com aquilo e isso era parte do nosso pequeno mundo. A última página era uma lista de pedidos de correspondência: Beltrano Sicrano, 1º cabo do RA5, em comissão de serviço na Guiné, deseja corresponder-se com menina dos 17 aos 25 anos, alegre, comunicativa e que goste de música pop. Resposta para o SPM 123456789. Era mais ou menos este o teor do pedido. Entrou na moda, estava na moda.

Então eu respondia a esses gritos de solidão, de liberdade adiada. Durante três ou quatro anos fui madrinha de guerra de uns quantos soldados. Os aerogramas não tinham franquia, pelo que a correspondência circulava com muita assiduidade. Eram palavras simples, descrições do dia a dia, relatos de filmes, letras de canções, poemas, fotografias, postais ilustrados. Enfim, baús cheios de tesouros para quem estava confinado ao mato, à imensidão africana, longe de tudo e de todos.


Havia um dia em que o aerograma trazia a notícia do fim da comissão, o agradecimento profundo pelos bons momentos de leitura e o conforto que as palavras da madrinha desconhecida tinham dado. A vida continuava.
Por duas ou três vezes houve um último aerograma sem resposta do lado de lá. O passar dos dias encarregou-se de apagar a dúvida, um pensamento doloroso.
De todos os afilhados de guerra, só conheci um. Acabada a sua tarefa, voltou para a terra e veio conhecer-me. Trouxe o irmão com quem tinha sido criado e ficou amigo lá de casa. As coisas que ele contava eram um mundo à parte. Ajudou-me a compreender a tal realidade que nos passava um pouco ao lado e trouxe-me algumas respostas às tais perguntas difíceis. Ajudou-me a crescer em consciência. Hoje recordo-lhe o riso franco e aberto. O Tempo, esse insano amigo, levou o resto.
Fotos da net

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Mês Internacional das Bibliotecas Escolares


José Fanha e António Torrado vão promover a leitura

Os escritores José Fanha e António Torrado, figuras de referência da literatura infanto-juvenil, vão estar em Olhão durante o mês de Outubro, promovendo diversas acções de promoção do livro e da leitura.
A propósito do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, que se comemora durante todo este mês, a Biblioteca Municipal de Olhão, uma das aderentes à iniciativa, elaborou um programa de acções dirigido à comunidade escolar e em particular aos alunos dos 2º e 3º Ciclos e ainda do Ensino Secundário.
Atrair os mais novos para o mundo das palavras e da leitura apresenta-se como o propósito em vista, criando importantes hábitos e necessidades ainda em tenra idade.
José Fanha estará na Biblioteca Municipal de Olhão nos dias 8, 9 e 10 de Outubro e de 27 a 29 será a vez de António Torrado deslocar-se àquela cidade algarvia.
Os dois escritores vão espalhar histórias e palavras em sessões em que estarão rodeados de jovens, dentro de projectos que desenvolvem neste âmbito, pois já lançaram redes de leitura em escolas e bibliotecas e fundaram clubes de leitores, participando regularmente em sessões de promoção da leitura e do livro.
Dada a juventude da Biblioteca Municipal de Olhão, ainda não existe um clube de leitura naquela estrutura podendo a acção prevista para este mês constituir o primeiro passo nesse âmbito.
(Armando Alves in Correio da Manhã)

É já amanhã a sessão na Biblioteca Municipal com o José Fanha.
Das muitas coisas escritas que aqui tenho dele, escolhi este poema que fala de Amor.

GRITO

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paixão
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste lá para trás
a côncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
não paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irmão.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutrões
e conquistaste
o lírico tropel
das águas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e tritões
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volupta da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

De ti que deixaste um dia
que o teu corpo se cansassse
desta terra de amargura e alegria
e se espalhasse aos quatro cantos
diluido lentamente
no mais plácido
silente
e negro breu.

De ti
meu irmão
ainda ouço
o grito que deixaste
encerrado
em cada pétala do céu
cada pedra
cada flor.
O grito de revolta
que largaste à solta
e que ficou para sempre
em cada grão de areia
a ressoar
como um pálido rumor.
O grito que não cansa
de implorar
por amor
e mais amor
e mais amor.

José Fanha, in "Breve tratado das coisas da arte e do amor"

sábado, 4 de outubro de 2008

Dinheiro

Há pouco liguei a televisão e o canal 1 está a transmitir o filme "Caminho para a Perdição", homenagem ao grande Paul Newman, recentemente falecido. Logo me acudiu à memória um outro filme deste actor – The Colour of Money – realizado em 1986.

A cor do dinheiro. Qual é a cor do dinheiro? A cor clara da alegria, do bem, da felicidade? Ou a cor escura do desespero, da ambição ou da avareza?

O dinheiro tem muito que se lhe diga. Aqui estão algumas coisas para dizer do dinheiro.

Como conceito podemos dizer que o dinheiro é o meio usado na troca de bens, na forma de moedas ou notas , usado na compra de bens, serviços, força de trabalho, divisas estrangeiras ou outras transacções financeiras, emitido e controlado pelo governo de cada país, que é o único que tem essa atribuição. É também a unidade contável. O seu uso pode ser implícito ou explícito, livre ou por coerção.

Também podemos reflectir sobre a sua natureza ou importância para o Homem:

-Não há nada pior do que o dinheiro / na sociedade humana , "Antígona" , Sófocles.
-O dinheiro, sozinho, governa todas as coisas, "Sentenças" , Públio Siro.
-Nenhuma fortaleza é tão forte que não possa ser tomada sem dinheiro , Marcus Cícero.
-Admira-se o talento, a coragem, a bondade, as grandes dedicações e as provas difíceis, mas só temos consideração pelo dinheiro, Sébastien-Roch Chamfort.
-O dinheiro só é poder quando existente em quantidades desproporcionadas , Honoré de Balzac
-O dinheiro é o único poder que nunca se discute , Alexandre Dumas (filho).
-O dinheiro pode abrir novas vias que permitam prolongar por um pouco mais de tempo um golpe de sorte , Françoise Sagan.

Ao dinheiro podemos dar muitos nomes: massa , bagulho, cobres, grana, quantia, guito, guita, cheta, arame, pasta, bago, c’roas, milho, papel, pilim , tostões, dele, aquilo com que se compra os melões.
O dinheiro pode tomar outros nomes: Funcionários, vencimento; Médicos, honorários; Soldados, pré; Empregados, ordenado; Jornaleiros, salário; Prestamistas, juro; Queixosos, indemnização; Beneméritos, legado; Noivas, dote; Accionistas, dividendo; Magistrados, emolumentos; Intermediários, comissão; Autores, direitos; Segurados, prémio; Reformados, pensão; Operários, féria; Cobradores, cobrança; Párocos, côngrua; Comerciantes, lucro; Serventes, gorjeta; Herdeiros, herança; Estado, impostos.

livros que falam de dinheiro, outros que contam histórias do dinheiro. Às vezes, não há dinheiro para comprar certos livros.

Olhando para o mundo lá fora vejo que a Revista Forbes, inteiramente dedicada ao dinheiro e ao que se faz com ele, elaborou uma lista dos 10 melhores filmes sobre a temática do dinheiro:
1.Wall Street (1987) 2.Trading Places (1983) 3.The Sting (1973) 4.Boiler Room (2000) 5.Ocean's Eleven (1960) 6.It's a Mad Mad Mad Mad World (1963) 7.Casino (1995) 8.Glengarry Glen Ross (1992) 9.The Treasure Of The Sierra Madre (1948) 10.American Psycho (2000).

E nas notas da Música encontramos muitas dedicadas ao dinheiro, também ele a falar inglês:
-She works hard for the money, Donna Summer
-Money Talks, AC/DC
-Money, Beatles
-Money for Nothing, Dire Straits
-Money, Pink Floyd
-Money, money, Money, ABBA
-Pay Me My Money Down, Bruce Springsteen

E para acabar, que a conta já vai longa, quero dar troco a isto tudo, mas em português:

O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o manganão!
Tem tanta graça o maldito,
Tem tanto chiste o ladrão!
O falar , fala de um modo...
Todo ele , aquele todo....
E elas acham-no tão guapo!
Velhinhas ou moças que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
É só dizer-lhe:-Aí vai...
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata , tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milhares aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
de gramática latina,
Quer-se um rapaz d'ali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas ,tais coisinhas....
Tlim!
Ora..
Aquela fisionomia
E lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?
---Oh meu tão antigo amigo!
(Tlim!)
Pois não!»

João de Deus
Fontes textos em itálico : internet

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia Nacional da Água


Poema da Água

A água também nasce pequenina
nasce gota de orvalho ou de neblina...

A água também tem a sua infância
quando apenas riacho cantarola
brinca de roda nos redemoinhos
salta os seixos que encontra
e faz apostas de corrida - travessa
por entre as grutas e escarpados,
arranca as flores que a marginam para engrinaldar
a cabeleira solta sobre o leito revolto das areias...

A água também tem adolescência
sonha lagos românticos à lua
fitando os astros namorados dela
embevecida em seus olhos de ouro...
e assim sempre amorosa e sonhadora
vai tecendo e bordando - dia e noite
o seu vestido de noiva nas montanhas
e o seu véu de noivado nas cascatas...

A água também tem maturidade
fica serena e grave em rios fundos
e num destino generoso e amigo
espalha a vida que em si mesma encerra
semeia bênçãos para o grão de trigo
abre caminhos líquidos da terra
e enlaça os povos através dos mares...

A água também tem sua velhice
é de ver-lhe os cabelos muitos brancos
onda lenta de espuma destrinçada em neve,
nos ares flutuando...
A água também sofre...
e quando sofre se faz divina
e vem brilhar em lágrimas
ou se reflete a dor da natureza
geme no vento transformada em chuva.

A água também morre...
e quando seca e a sua morte entristece tudo:
choram-lhe, enfim na desolação,
todos os seres vivos que a rodeiam
porque ela é o seio maternal da vida
e de tal maneira ama seus filhos rudes
que muitas vezes para os salvar
se deixa ficar sem o murmúrio
de uma queixa prisioneira de poços e açudes...

Bendita seja, pois, água divina
que fecunda, consola, dessedenta, purifica,
e que, desde pequenina, feita gota de orvalho,
mata a sede das plantas entreabertas
e prepara o festivo esplendor da primavera...
e que, nascida em píncaros da serra,
vem de tão alto, procurando sempre
ter um fim de planície e de humildade até perder,
na última renúncia, o nome de batismo de seus rios
para ficar anônima nos mares.


Autor: Raul Machado (enviado por e-mail)