sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Serenidade


Um dia destes, seguindo o rio de canais existente na tv cabo, desaguei num episódio de uma série tipicamente americana, onde as relações humanas são dissecadas molecularmente . Versava o dito sobre a serenidade. Como é um sentimento que muito prezo, fiquei. Até que gostei. As perspectivas individuais das personagens, fruto dos dramas que cada uma atravessa, originavam atitudes diversas. Em cada par, um exercia uma espécie de contraditório entre o que pensa e o que faz, e o outro, com serenidade, repunha a verdade da situação. Conclusão: com calma chegamos lá. Era basicamente isto. E, por ser tão simples e óbvio, gostei.
Serenidade é como o dinheiro, todos querem mas poucos têm.
Decididamente vivemos dias de exaltação. Guerras, um pouco por todo lado, despoletadas pela ganância e ambição; economias deprimidas, porque dependentes das globalizações e afins; desemprego frustrante, gerador de inseguranças; franjas sociais que nada produzem mas constituem uma espécie de sociedade só de direitos, onde grassam genes de violência gratuita; serviços de saúde que eternizam esperas ansiosas; justiça que, já de si sendo cega, está cada vez mais surda; educação desvalorizada, refém sabe-se lá de que desígnios supremos, que sonham de noite aquilo que não é exequível de dia.
Perdemos a calma todos os dias, porque de uma assentada tudo nos corre mal e parece que só acontece a nós. Curioso é que se alguém está exaltado, lá vamos nós tentar ajudar, recordando que há quem esteja pior, que se a roda desanda é melhor que deixemos rodar até ao fim, pois ela logo pára e volta a subir, enfim, aquelas coisas que também repetimos para nós próprios mas depressa as sacudimos. Às vezes conseguimos controlar a exaltação, deles e nossa. Mas é sol de pouca dura, porque “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
Decididamente estamos muito necessitados de serenidade. Para revermos as nossas estratégias de actuação face a um mundo que há muito perdeu a inocência. Para podermos ajudar os outros com a coerência do que pensamos e do que fazemos. Para darmos uma oportunidade ao Tempo. Enfim, para desfrutar da serenidade, esse sentimento que todos prezamos.

22 comentários:

Sophiamar disse...

Amiga Esperança!

Tu fazes cá uma faltinha nesta blogosfera!Nem sempre a serenidade abunda , sobretudo quando as situações ocorrem connosco e daí as decisões não serem as mais assisadas.Quando nos compete aconselhar ( todos gostamos de ser conselheiros) é mais fácil recomendar uma actuação serena. Mas tu sabes que não é fácil nos dias de hoje, manter a serenidade!
Olha, leva beijinhos.
Bem hajas, Esperança amiga. Continua por aqui a somar as letras e a redigir posts deste tipo. Ai o gatinho na pantufinha é uma ternura! Só tu mesma para escolher com tanto gosto!

Mais um jinho!

Tem um bom dia!

elvira carvalho disse...

É amiga serenidade é coisa que faz muita falta, mas num país em que falta quase tudo, como haviamos de querer que houvesse serenidade? Já minha avó dizia:" Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
Um abraço e bom fim de semana.

Papoila disse...

Soma de Letras:
Aí está um sentimento indispensável para continuar o caminho nestes tempos de crise valores em que o tema mais falado é o "economês"... Manter a serenidade pode ser dificil mas é indispensável!
Beijos

elvira carvalho disse...

Passei. Deixo um abraço e votos de bom fim de semana

Kaotica disse...

A serenidade é uma jóia rara nestes tempos em que se sentiu a necessidade de criar uma palavra nova: "stress". O modo de vida agitado, apressado e competitivo das sociedades contemporâneas não premeia a serenidade, embora quanto menos ela existe mais seja admirada. Repare que as técnicas orientais entraram na ordem do dia nos ginásios: procuramos momentos de serenidade recorrendo a aulas de yoga, tai chi, meditação, relaxamento. Procuramos o que não temos e esquecemos que a serenidade não é uma prática que se alcance numa hora e depois mais depressa se dissipe na hora de ponta. A serenidade é um estado de espírito, um modo de estar. Por vezes atinge-se com a idade (é talvez das melhores coisas que ganhamos com a idade, quando ganhamos).

Um abraço

rendadebilros disse...

Que bonita reflexão! Serenidade faz falta em tantos momentos...
Bom fim de semana.

Jorge P.G disse...

Um texto bonito, bem estruturado e convidativo à reflexão.
Serenidade é o que menos temos de momento e um dos factores de que mais precisamos. Difícil de conseguir num mundo em permanente conflito, nem por isso podemos ceder à lei da selva e passarmos a ser o que não somos.
Fazer de cada dia um novo dia será talvez um bom princípio, dando relativa importância a pequenos nadas do quotidiano, que irritam, mas que valem apenas o que valem e que é, tantas vezes, muito pouco.

Serenamente procurei reflectir.

Um abraço e parabéns pelo texto.

Mariazita disse...

Belíssimo texto!
Uma análise perfeita do que ocorre nos nossos dias, e do que todos precisamos como de pão para a boca - Serenidade.
É a primeira vez que visito este espaço, mas não será a última.
Já o incluí nos meus Favoritos, e voltarei tão breve quanto possível.
Beijinhos
Mariazita

o escriba disse...

Isabel

Efectivamente não é fácil manter a serenidade, e ultimamente, na nossa profissão, é mesmo difícil a todos os níveis.

Obrigada pelas tuas palavras e pelo teu regresso (depois do susto que apanhei no outro dia quando te visitei!).

bjinhos
Esperança

o escriba disse...

Elvira

Também me lembrei desse provérbio ao fazer o texto, pois ele reflecte bem o que se anda a passar neste país.

bjs
Esperança

o escriba disse...

Papoila

É verdade, sim senhor, nestes tempos em que o "economês" não só é tema como parece que linguagem, também, a imperioso mantermos a serenidade para não perdermos de vista os valores em que fomos criados e educados.

bjs
Esperança

o escriba disse...

Elvira

Bom fim de semana também para si.

bjs
Esperança

o escriba disse...

Kaotica

Conquistar ou alcançar a serenidade é difícil, mas ainda é mais mantê-la. Daí que, como diz, recorramos a técnicas orientais para aprender. Tentamos recuperar, assim, os valores morais e éticos que entraram em crise nas sociedades contemporâneas. Sendo a serenidade um estado de espírito, é realmente com o avançar da idade que a cultivamos.

bjs
Esperança

o escriba disse...

rendadebilros

Obrigada e bom fim de semana para si também.

bjs
Esperança

o escriba disse...

Também concordo consigo: cada dia deve ser um novo dia, resolvendo os pequenos nadas para que não se acumulem e se transformem em factores de conflito. Dizia a minha avó que mais vale ir para a cama com mágoa do que levantar-se com remorso.Obrigada.

Um abraço
Esperança

lagartinha disse...

Ontem fiquei aqui encalhada, pois o meu PC morreu de fome (problemas com a bateria) Já passou.
Este texto faz pensar, pesar prioridades...serenidade não pode existir quando sobra tanto mês ao ordenado...
Beijinho verde

o escriba disse...

Mariazita

Obrigada pela visita e pelo simpático comentário.
Venha sempre que quiser, é bem vinda!

bjs
Esperança

o escriba disse...

Ana Lagartinha

Então deixou acabar "a alpista ao passaroco"? Ai, ai ai!

Agora a sério. Esse, minha amiga, é um dos grandes factores que concorrem para a falta de serenidade! Tal como diz a amiga Elvira, casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão!
Com serenidade, há que definir prioridades.

Bom fim de semana
bjinhos
Esperança

o escriba disse...

Jorge

Também concordo consigo: cada dia deve ser um novo dia, resolvendo os pequenos nadas para que não se acumulem e se transformem em factores de conflito. Dizia a minha avó que mais vale ir para a cama com mágoa do que levantar-se com remorso.Obrigada.

Um abraço
Esperança

depois de escrito: Jorge desculpe a repetição da resposta, mas a primeira saiu sem destinatário.(é o que faz a minha falta de serenidade)

Sophiamar disse...

Escreves tão bem, amiga Esperança! Em tempo de nostalgia, vim beber da tua serenidade.

Beijinhos

o escriba disse...

Isabel

Amiga, muito obrigada pelas tuas doces palavras.

bjinhos
Esperança

Alfazema disse...

"Serenidade é como o dinheiro, todos querem mas poucos têm.
Decididamente vivemos dias de exaltação. Guerras, um pouco por todo lado, despoletadas pela ganância e ambição..."

A ganância e a ambição comandam a vida esquecendo-se os homens que isto é uma passagem rápida para outra dimensão. Hoje, perdi mais um bocado de mim. Um amigo partiu para sempre sem que eu o esperasse. Estou a precisar de uma boa dose de serenidad.É pena que não se compre e que quando a temos, a percamos com tanta facilidade.

Beijinhos amiga