sexta-feira, 18 de março de 2011

Para Sempre


Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.


Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

- mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.



Carlos Drummond de Andrade

1 comentário:

Cata- Vento disse...

Um dos poemas mais bonitos que conheço, dedicado às mães. E não há dia nenhum que as não recordemos, se já as não temos, como é o meu caso, com uma saudade profunda e dolorosa.

Bem-hajas, amiga!

Bjinhos