sábado, 12 de junho de 2010

O Zé Povinho



O Zé Povinho comemora 135 anos! E o seu gesto continua tão propositado como na altura em que foi criado por Rafael Bordalo Pinheiro. Então nestes últimos meses, creio bem que o Zé nunca teve tempo de descansar os braços. Coitado, deve estar cheio de artroses nos cotovelos!


Esta semana lá tivemos mais uma comemoração do 10 de Junho. Descentralizada, como convém, com a novidade de um desfile militar encabeçado por ex-combatentes , conveniente a algumas consciências com passados mal resolvidos e presentes cheios de desculpas. Mais umas fitas e medalhas que, com honrosas excepções, vão enfeitar as salas e os pechichés de uns quantos pavões sem obra mas que, pelos vistos, engrandeceram esta pátria à deriva de sonhos e de escolhos.


Nesta semana, também, deu-se o tiro de partida para duas grandes festas. Primeiro, para o Mundial de futebol. Delírio supremo do desporto de bola, onde a nossa selecção vai procurar um lugar ao sol, que em África há em abundância. Se calhar, muito foguete antes da festa, bem à portuguesa, este ano com o acréscimo do som das vuvuzelas, que prometem embezourar a cabeça de adeptos e jogadores. Segunda festa, a dos Santos Populares. Esta sim, bem nossa. Começa pelo Santo António, que em Lisboa dá brado. Passa depois ao Porto, onde o São João brilha mais com as luzes na Ponte. O São Pedro tem festejos em muitas localidades, a fechar com chave de ouro.

Bem que precisamos de animação! Não daquela que nos faz andar numa fona, com gripes, vacinas, crises, taxas de juro, impostos e quejandos a driblar processos, escutas, disse, não disse, vendo, não vendo, acaba, não acaba, sabia, não sabia. Uff!! Não, não é desta animação que falo. É da outra, daquela que nos faz esquecer tudo, que nos faz sentir crianças - dê-me um tostãozinho para o santinho!- que nos faz rir, estar com os amigos, cantar e dançar até ser dia. Estamos precisados de um intervalo - o programa segue dentro de momentos- que nos poupe a cabeça de ideias estapafúrdias e calamitosas.


Vamos, pois, ver o futebol, comer uma sardinhada, dar um pézinho de dança, e pode ser que desta vez o Zé Povinho possa engrandecer a Pátria e para o ano seja condecorado no 10 de Junho.


Ó meu rico Santo António
Vê se à crise dás um jeito
Traz também a dignidade
E um pouco de respeito


São João, tu és um Santo
Bem português e só nosso
Não deixes que eles nos comam
desde a carne até ao osso


São Pedro das brancas barbas
empresta sabedoria
aos que inventam à noite
p'ra mandar fazer de dia

Quadras da minha autoria e imagns da net

2 comentários:

Vieira Calado disse...

As vuvuzelas?

E os ouvidos dos que estão ali à frente do televisor?

Saudações poéticas

o escriba disse...

Vieira Calado

Pode crer... sempre aquele som de fundo ensurdecedor!Inacreditável.


Um abraço
Esperança