sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)

José Saramago por António

Retrato do Poeta Quando Jovem

Há na memória um rio onde navegam

Os barcos da infância, em arcadas

De ramos inquietos que despregam

Sobre as águas as folhas recurvadas.


Há um bater de remos compassado

No silêncio da lisa madrugada,

Ondas brancas se afastam para o lado

Com o rumor da seda amarrotada.


Há um nascer do sol no sítio exacto,

À hora que mais conta duma vida,

Um acordar dos olhos e do tacto,

Um ansiar de sede inextinguida.


Há um retrato de água e de quebranto

Que do fundo rompeu desta memória,

E tudo quanto é rio abre no canto

Que conta do retrato a velha história.

José Saramago

3 comentários:

O Guardião disse...

O país homenageou o Nobel da Literatura mais do que as altas patentes do Estado que nunca conviveram bem com o seu pensamento político e religioso.
Cumps

Vieira Calado disse...

Outras bem merecidas homenagens se hão-de seguir,

a este grande homem de letras!

Saudações poéticas

o escriba disse...

Guardião
Vieira Calado


A Obra que Saramago deixou é eterna: será sempre lembrada com luminosidade.
Os outros, se forem lembrados, serão pelas cretinices que fizeram.