segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pescador


Sou filha e neta de Pescadores. O Mar e as lides da pesca sempre fizeram parte da minha vida. Agora tudo mudou e tudo é diferente. Já não tenho a pesca, mas continuo a ter o Mar dentro do coração e ao alcance da vista.
Esta é a minha humilde homenagem:
Poveiro

Poveirinhos! meus velhos pescadores!
Na Agoa quizera com vocês morar:
Trazer o lindo gorro de trez cores,
Mestre da lancha Deixem-nos passar!
Far-me-ia outro, que os vossos interiores
De ha tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das dores,
Como esses pongos em que andaes no mar!
Ó meu Pae, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro,
Mailo irmão do «Senhor de Mattozinhos»!
No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Promettermos, si o barco fôri intieiro,
Nossa bela à Sinhora dos Afflictos!

António Nobre, in 'Só'

3 comentários:

Cata- Vento disse...

O mar e as suas gentes fazem parte de nós, Esperança. Raros serão aqueles que, nascidos no lioral, não têm entre os seus entes mais queridos um valente mas sempre humilde homem do mar.

Bem-hajas!

Bjinhos

o escriba disse...

Olá, amiga Isabel!

Obrigada pelas tuas palavras.

bjinhos
Esperança

Duda disse...

Cheguei no seu blog procurando justamente por esse poema na internet. Gosto bastante dele. Não sou um filho de pescadores, mas morei até os meus 20 anos em cidade litorânea, particularmente gosto de imagens relacionadas ao mar.
Achei curioso que na versão que você postou está como "Mailo irmão". Conhecia apenas versões em que era "Mail-irmão". E engraçado, acho que a sua me ajudou a entender, porque não encontrava em lugar nenhum o significado de "Mail-irmão" hehe.

abraços!
Eduardo