terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Coisas de Poesia...

Quase todos os dias a Poesia me vem ao pensamento e à palavra. É um grande Amor. Não sou grande coisa a juntar palavras com sabor a poesia e, apesar de andarem cá por casa uns rabiscos mal amanhados, nunca me atrevi a agredir a sensibilidade alheia com tais arroubos inspirativos. Mas, como dizia, quase todos os dias a encontro.
Hoje, por exemplo, em conversa com a Cristina M. veio à baila a Fernanda de Castro. Difícil escolha,pensei eu, pois as palavras dela têm muita alma, cor e vida e uma pessoa perde-se. Escolhi este:

Urgente

Urgente é construir serenamente
seja o que for, choupana ou catedral,
é trabalhar a peda, o barro, a cal,
é regressar às fontes, à nascente.
É não deixar perder-se uma semente,
é arrancar as urtigas do quintal,
é fazer duma rosa o roseiral,
sem perder tempo. Agora. Já. É urgente.
Urgente é respeitar o Amigo, o Irmão,
é perdoar, se alguém pede perdão,
é repartir o trigo do celeiro.
Urgente é respirar com alegria,
ouvir cantar a rola, a cotovia,
e plantar no pinhal mais um pinheiro.

Fernanda de Castro, in Poesia II

4 comentários:

Zé Povinho disse...

Uma boa escolha, na forma e na urgência dos desejos.
Abraço do Zé

o escriba disse...

Obrigada, Zé Povinho!

Bom fim de semana
Um abraço
Esperança

Mare Liberum disse...

Como sempre, uma escolha excelente.

Bem-hajas!

Bjinhos

Vieira Calado disse...

Para quem tem quintal...

Mas percebe-se o que a autora quer dizer.

Vou ver se arranjo um quintal...

onde possa plantar uma figueira...

lampa!

Saudações mais ou menos carnavalescas!