domingo, 8 de março de 2009

João de Deus


João de Deus de Nogueira Ramos, mais conhecido por João de Deus, nasceu em São Bartolomeu de Messines, a 8 de Março de 1830, e faleceu em Lisboa, a 11 de Janeiro de 1896. Advogado e jornalista, foi também um eminente poeta, de lirismo simples e terno, com grande profundidade emocional e muitas vezes melancólico. As suas poesias foram reunidas na colectânea Campo de Flores, publicada em 1893, incluindo-se nesta duas obras anteriores: Flores do Campo e Folhas Soltas. Publicou ainda um Dicionário Prosódico de Portugal e Brasil (1870), e as obras poéticas Ramo de Flores (1869) e Despedidas de Verão (1880). No entanto, foi na área da Educação que João de Deus deixou a sua marca indelével e se distinguiu como pedagogo ao propor, em 1876, um método de ensino da leitura. Assente numa Cartilha Maternal por ele escrita e inspirada em experiências de pedagogos inovadores como Pestalozzi, o método teve grande aceitação popular, o que levou a ser aprovado, em 1878, como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa.

Em Maio de 1882, foi fundada a Associação de Escolas Móveis, que tinha como finalidade o ensino particular da leitura e da escrita pelo método de João de Deus. Essa entidade originou, em 1908, a Associação de Jardins-Escolas João de Deus, uma Instituição Particular de Solidariedade Social dedicada à educação e à cultura. No seu âmbito funciona o Museu João de Deus e a Escola Superior de Educação João de Deus e múltiplos jardins-escolas.

João de Deus foi considerado o poeta do amor.
O país prestou-lhe as devidas homenagens mesmo ainda em vida e , aquando da sua morte, foi sepultado no Panteão Nacional.
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ADORAÇÃO
Vi o teu rosto lindo,
esse rosto sem par;
contemplei-o de longe, mudo e quedo,
como quem volta de áspero degredo
e vê ao ar subindo
o fumo do seu lar!
Vi esse olhar tocante,
de um fluido sem igual;
suave como lâmpada sagrada,
bem-vindo como a luz da madrugada
que rompe ao navegante
depois do temporal!
Vi esse corpo de ave,
que parece que vai
levado como o Sol ou como a Lua,
sem encontrar beleza igual à sua,
majestoso e suave,
que surpreende e atrai!
Atrai, e não me atrevo
a contemplá-lo bem;
porque espalha o teu rosto uma luz santa,
uma luz que me prende e que me encanta
naquele santo enlevo
de um filho em sua mãe!
Tremo, apenas pressinto
a tua aparição;
e, se me aproximasse mais, bastava
pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
Não é amor que eu sinto,
é uma adoração!
Que as asas providentes
do anjo tutelar
te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura
de ver que me consentes
olhar de longe... olhar!
Fontes: Texto, wikipédia; Imagens, BNdigital

11 comentários:

Jorge P.G disse...

Um grande mestre que nos deixou a Cartilha Maternal, ainda hoje, para muitos, um método excelente de ensino da língua.
E na poesia, claro, legou-nos poemas de grande humanismo e amor.

Um abraço e um bom domingo, este num dia especial para vós, mulheres.
Um Bem-Haja à Mulher!

(Espero que esteja de boa saúde, já.)

o escriba disse...

Jorge

É bom lembrar estes grandes nomes das letras portuguesas, mas que cada vez mais vão caindo no esquecimento.

Obrigada pela simpatia no Dia da Mulher, data que não comemoro especialmente, mas que considero importante se for para realçar o papel da mulher nas sociedades e contribuir para acabar com as discriminações que ainda persistem.

Um grande abraço para si
e para a esposa

Esperança

Cata-Vento disse...

Foi pela Cartilha Maternal que aprendi a ler. Uma edição de 1924 que guardo com muito amor. Pertencia ao avô materno, lavrador, que, à noite, juntava a criançada à lareira e lia e fazia ler os seus poemas.No Verão, nas longas férias de então, líamos na rua, junto da eira, debaixo de um alpendre carregadinho de uvas.
Bem-hajas, Mulher,pelo que de bom me tens transmitido.E tem sido tanto!

Mil bjinhos com muita amizade

o escriba disse...

Cata-Vento

A Cartilha Maternal também foi o meu primeiro instrumento de aprendizagem. A minha filha também aprendeu a ler por ela. Foi um livro de gerações.

Obrigada, também, Mulher Cata-Vento, Mulher Isabel, Mulher Colega, Mulher Amiga!

bjinhos
Esperança

Jorge P.G disse...

Passei hoje e deixo um abraço e votos de boa saúde.

o escriba disse...

Jorge

Obrigada. Isto parece que já está quase bom!

Um abraço
Esperança

lagartinha disse...

Peço as maiores desculpas pela ausência, mas sou pitosga e parti os óculos, só agora, que descobri poder usar os do meu filhote, ainda que por pouco tempo, vim "matar" saudades.
Não sei se já percebeu, mas um dos meus filhotes nasceu com um problemita, ligeiro, é certo, mas problema...tem sido graças à Cartilha Maternal, que de acordo com a Professora do meu T, em casa, me "esfolo" para que ele consiga ler qualquer coisita...a Professora do ano passado não concordava com o método, mas só neste ano, o meu T aprendeu o que devia ter aprendido em dois anos de escolaridade...dá que pensar...porquê mudar este método de ensino, se até os miúdos com problemas o entendem?
Beijocas

lagartinha disse...

Peço as maiores desculpas pela ausência, mas sou pitosga e parti os óculos, só agora, que descobri poder usar os do meu filhote, ainda que por pouco tempo, vim "matar" saudades.
Não sei se já percebeu, mas um dos meus filhotes nasceu com um problemita, ligeiro, é certo, mas problema...tem sido graças à Cartilha Maternal, que de acordo com a Professora do meu T, em casa, me "esfolo" para que ele consiga ler qualquer coisita...a Professora do ano passado não concordava com o método, mas só neste ano, o meu T aprendeu o que devia ter aprendido em dois anos de escolaridade...dá que pensar...porquê mudar este método de ensino, se até os miúdos com problemas o entendem?
Beijocas

lagartinha disse...

Peço as maiores desculpas pela ausência, mas sou pitosga e parti os óculos, só agora, que descobri poder usar os do meu filhote, ainda que por pouco tempo, vim "matar" saudades.
Não sei se já percebeu, mas um dos meus filhotes nasceu com um problemita, ligeiro, é certo, mas problema...tem sido graças à Cartilha Maternal, que de acordo com a Professora do meu T, em casa, me "esfolo" para que ele consiga ler qualquer coisita...a Professora do ano passado não concordava com o método, mas só neste ano, o meu T aprendeu o que devia ter aprendido em dois anos de escolaridade...dá que pensar...porquê mudar este método de ensino, se até os miúdos com problemas o entendem?
Beijocas

o escriba disse...

Ana Lagartinha

Esses desígnios do ministério de educação, seja de que cor seja, são impossíveis de descortinar. São "visões" de quem está atrás de secretárias a mandar tatesbitates mas não faz a mínima do que é estar no terreno. Nunca ouviram ninguém e continuam a não ouvir, reduziram tudo e questões economicistas e de interesses e deu nisto.
São dois os métodos mais comuns para a aprendizagem da leitura, sendo que o método das vinte eoito palavras, que é o mais próximo do método de João de Deus, não é muito do agrado de alguns colegas professores do 1º ciclo.Este é, efectivamente, o método que permite uma aprendizagem mais evolutiva e efectiva. Deve ter sido o que aconteceu com o seu T: no ano passado não eram simpatizantes desse método, mas este ano, provavelmente encontrou uma professora que o seguia.
No entanto, digo-lhe que fez bem em ter insistido, pois graças a ele o seu T já vai lendo e continuará a desenvolver a leitura, ao ritmo dele. Infelizmente o nosso sistema de ensino não se compadece com a existência de grupos de nível, e por isso, mesmo que se queira fazer alguma coisa mais profunda nesse campo, não temos cobertura legislativa e quem sofre são os alunos.
Não desista, minha querida!
O seu T poderá ter um ligeiro problemazito, mas com persistência e tendo ao seu lado uma mãe como a menina, não lhe há-de faltar oportunidade de desenvolver todas as suas capacidades.
Gostei muito da sua visita!

bjinhos
Esperança

Anónimo disse...

João de Deus era advogado e indiretamente nunca o exerceu: foi advogado na praça pública onde o direito ao saber era o corolário da sua doutrina. Penso que a Cartilha Maternal foi inspiração-criação do poeta e não inspirada em experiências de pedagogos inovadores como Pestalozzi, não foi?