quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia Nacional da Água


Poema da Água

A água também nasce pequenina
nasce gota de orvalho ou de neblina...

A água também tem a sua infância
quando apenas riacho cantarola
brinca de roda nos redemoinhos
salta os seixos que encontra
e faz apostas de corrida - travessa
por entre as grutas e escarpados,
arranca as flores que a marginam para engrinaldar
a cabeleira solta sobre o leito revolto das areias...

A água também tem adolescência
sonha lagos românticos à lua
fitando os astros namorados dela
embevecida em seus olhos de ouro...
e assim sempre amorosa e sonhadora
vai tecendo e bordando - dia e noite
o seu vestido de noiva nas montanhas
e o seu véu de noivado nas cascatas...

A água também tem maturidade
fica serena e grave em rios fundos
e num destino generoso e amigo
espalha a vida que em si mesma encerra
semeia bênçãos para o grão de trigo
abre caminhos líquidos da terra
e enlaça os povos através dos mares...

A água também tem sua velhice
é de ver-lhe os cabelos muitos brancos
onda lenta de espuma destrinçada em neve,
nos ares flutuando...
A água também sofre...
e quando sofre se faz divina
e vem brilhar em lágrimas
ou se reflete a dor da natureza
geme no vento transformada em chuva.

A água também morre...
e quando seca e a sua morte entristece tudo:
choram-lhe, enfim na desolação,
todos os seres vivos que a rodeiam
porque ela é o seio maternal da vida
e de tal maneira ama seus filhos rudes
que muitas vezes para os salvar
se deixa ficar sem o murmúrio
de uma queixa prisioneira de poços e açudes...

Bendita seja, pois, água divina
que fecunda, consola, dessedenta, purifica,
e que, desde pequenina, feita gota de orvalho,
mata a sede das plantas entreabertas
e prepara o festivo esplendor da primavera...
e que, nascida em píncaros da serra,
vem de tão alto, procurando sempre
ter um fim de planície e de humildade até perder,
na última renúncia, o nome de batismo de seus rios
para ficar anônima nos mares.


Autor: Raul Machado (enviado por e-mail)

14 comentários:

peciscas disse...

Hoje é o Dia Nacional da Água e o Dia Internacional do Idoso.
Ambas as efemérides são importantes, por variadas razões.
No entanto, estas coisas têm o valor que têm, pois apenas podem chamar a tençã para problemas. Porque, o resolvê-los, deve estar no dia a dia.

Jorge P.G disse...

Um poema muito naïv, mas bonito, de um poeta brasileiro não muito conhecido por cá.

Ignorava em absoluto que hoje era o dia da água, mas como todos os dias é dia de alguma coisa, não se podem fixar as datas todas, não é? rrsss...

Um abraço, Esperança.

o escriba disse...

peciscas

Concordo consigo. Estas efemérides só servem, efectivamente para chamar a atenção, porque o valor delas está na aplicação que fazemos no nosso quotidiano.

Um abraço
Esperança

o escriba disse...

Jorge

Assim como gosto da pintura naïv também gosto de poemas do género.
Este atraiu-me pela transparência das palavras, que a água também devia ser sempre assim.
É como diz, todos os dias são dias de qualquer coisa.Olhe, eu cá também tenho o meu ... é o dia dos anos!

Um abraço
Esperança

Sophiamar disse...

Um abraço, amiga.
Obrigada pela visita.

o escriba disse...

Isabel

Amiga, um grande abraço para ti.

Esperança

lagartinha disse...

Dia Nacional da água, dia internacional do idoso e dia internacional da música, mas a água, tão importante para nós teve direito a lindo poema...
Um beijo e vivó Spooorting!!

o escriba disse...

Ana Lagartinha

Vivóoooo Spooorting!!!!

Sem água não há vida! Sem água não há Idoso ou Música!

bjinhos
Esperança

Sophiamar disse...

Deixo-te um beijinho e agradeço-te a passagem lá por casa. O mar...

Bem hajas!

Jorge P.G disse...

Deixo-lhe hoje um simples abraço.

Papoila disse...

Dia Internacional da água esse bem preciosos à vida são todos os dias... Gostei muito do poema!
Beijos

o escriba disse...

Isabel

Amiga, sabes que gosto muito de passar pelo teu canto.Vejo mar... nas palavras.

bjinhos
Esperança

o escriba disse...

Jorge

Obrigada pelo abraço amigo.
Outro para si também

Esperança

o escriba disse...

Papoila

Poema simples, que assim devia de ser a vida da água neste planeta.

bjs
Esperança